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Shopping ou loja de rua? Saiba como decidir

O cenário é atraente para quem sonha em abrir uma loja: facilidade de estacionamento, segurança, certeza do movimento de consumidores e um setor que não para de crescer. Estes são os principais fatores que levam muitos empresários a optarem por um ponto de venda dentro de shopping. Mas a primeira lição para quem está disposto a empreender nesses locais é ter em mãos um bom plano de negócio.

Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), são quase 400 milhões de pessoas que circulam por mês nos shoppings do País e somente no ano passado foram inaugurados 27 novos centros de compras, sendo 16 deles na região Sudeste, e a maioria em cidades do interior.

Apesar dos números chamativos, ter loja em shopping requer muito cuidado prévio. Daí a importância do plano de negócio, um roteiro do empreendimento, com informações completas que vão desde o produto ou serviço e o perfil do público desejado, até a localização do ponto comercial e o investimento detalhado para abertura da empresa e custos operacionais. “O plano de negócios vale tanto para quem vai empreender em um shopping como também em um ponto comercial de rua, e não existe nenhuma fórmula para determinar se o shopping ou a rua é melhor. O empreendedor deve definir o público que pretende atender, quanto tem de recursos e estar ciente de que o custo em um shopping é, no mínimo, 30% maior”, alerta o consultor do Sebrae-SP em Campinas, Antonio Luís da Silva Bertolo.

A partir do momento em que o empreendedor tem definido o público-alvo para o seu produto ou serviço e já identificou o shopping que atende ao mesmo perfil de clientes, é necessária uma visita à administradora do centro de compras. “Não basta querer abrir uma loja”, pontua o consultor. Ele explica que o primeiro aspecto é saber se há disponibilidade de espaço, o valor da luva, ou seja, o valor a ser pago para a exploração do ponto comercial. “Cada administradora tem um perfil diferente do que ela quer em seu mix de lojas, é a administradora quem conduz a negociação”, afirma.

Segundo o consultor há outros aspectos importantes a serem observados. Mesmo que a administradora dê o sinal verde para a instalação de uma nova loja, o empreendedor também precisa verificar se o local colocado à disposição é adequado, checar a concorrência dentro do ramo pretendido, além de conhecer todas as normas e exigências de instalação do shopping. “Ele deve calcular corretamente o investimento, incluindo o ponto, a montagem da loja, o estoque, os custos mensais de operação, o capital de giro e o prazo para retorno do investimento.”Robert Alexender está à frente da Marshmallow Kids, loja do segmento de moda infanto-juvenil, com duas unidades em Campinas – uma no Campinas Shopping, com quatro anos de funcionamento, e outra em uma avenida da cidade. Ele conta que no shopping o investimento é 130% maior, mas tem as vantagens da comodidade como segurança, estacionamento e climatização. “Pode estar chovendo, frio ou muito calor que o clima dentro do shopping é sempre o mesmo e isso favorece”, avalia.

Para Alexender, é muito relativo avaliar se o shopping ou a rua é melhor. O que faz a diferença para o sucesso, segundo ele, é ter atendimento que se destaque, ações para fidelização do cliente, campanhas promocionais e uma correta previsão de capital de giro para ter fôlego até que o investimento comece a dar retorno.

“Temos atendimento diferenciado, cantinho de leitura, lego, brinquedos, além de um blog e contato com os clientes para informar das novidades e das promoções”, destaca, acrescentando que isso vale para as duas lojas, o que garante o retorno do cliente e o sucesso de venda tanto na unidade do shopping quanto na de rua. O planejamento para investir e o cuidado na avaliação do perfil do consumidor foram fundamentais para que Paulo Eduardo Valerim acertasse na escolha do ponto.

Sem experiência na área empresarial, há seis meses investiu em uma unidade da Chocolates Brasil Cacau, instalada no Campinas Shopping. “A vantagem da franquia é que ela lhe dá toda a orientação, inclusive na escolha do ponto”, afirma. Valerim sempre foi executivo de empresas e ao aposentar-se decidiu abrir seu próprio negócio. A primeira decisão foi a definir o produto. “Minha filha sugeriu uma loja de chocolates e a partir daí comecei a ver, visitar fornecedores e lojas. Visitei três diferentes marcas de franquias e experimentei os produtos. A Chocolates Brasil Cacau é uma franquia nova e optei pela marca pela qualidade e diferencial dos produtos”, conta.

Segundo o empresário, o passo seguinte foi a escolha do ponto, entre uma loja de rua no bairro de São Miguel Paulista, em São Paulo, e no shopping em Campinas, a ser submetido ao franqueador. Os dois pontos foram aprovados, mas a segurança e o local encontrado no Campinas Shopping foram decisivos.

Segundo o empresário, a instalação no centro de compras foi três vezes mais cara em relação ao ponto de rua. No entanto, pela localização, próxima aos caixas eletrônicos de bancos, vizinho de uma casa lotérica e de uma praça de alimentação, a escolha foi acertada. “O meu produto é de passagem, as pessoas compram por impulso, ninguém sai de casa só para comprar chocolate; dependo desse fluxo de pessoas e deu certo. Tenho atendimento diferenciado e já recebo elogios dos clientes”, comemora Valerim.

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