Transformar tijolos e argamassa em prédios e casas tem sido, em tempos recentes, uma das atividades que mais movimentam o mercado brasileiro. Nos últimos anos, o setor da construção civil não apenas modificou paisagens e empregou milhões de trabalhadores. Numa época em que sustentabilidade tornou-se palavra de ordem, a construção civil enfrenta um grande desafio: reduzir, ao máximo, o uso de recursos e os rastros de seus resíduos.
De olho nessa demanda, uma empresa paulista identificou uma grande oportunidade. A partir de um conceito simples, criou modelos de tijolos capazes de reduzir significativamente os gastos em excesso das construções. “Percebemos que a construção de paredes do jeito convencional era feita no improviso, com grandes desperdícios”, justifica o diretor da Tecno Logys, Valério Dornelles.
Inspirada nos brinquedos de blocos de montar, a empresa desenvolveu tijolos de diferentes tamanhos. Assim, poupa-se não só o tempo e a mão de obra dos pedreiros, mas também se evita a perda de materiais. “Sabíamos que era possível fazer alvenaria de forma mais racionalizada, com novas tecnologias que reduzissem o desperdício e aumentassem a produtividade e a eficiência”, completa o diretor.
Em geral, 30% dos materiais utilizados nas construções viram lixo. Com os blocos de tamanhos diferenciados, a Tecno Logys conseguiu reduzir o desperdício a 5% dos recursos da obra, com meta de zerar esse índice.
Conquista de mercado
Com uma ideia inovadora e um projeto viável, Dornelles fechou, em 1999, parceria com uma indústria de cerâmica. No ano seguinte, os esforços se voltaram a desenvolvimento e testes do produto. No final de 2000, os blocos de diferentes tamanhos chegavam ao mercado. Por um tempo, a empresa lucrou com os royalties e com consultorias sobre como utilizá-los, até que uma nova ideia ganhou corpo.“Em 2001, pensamos na alvenaria integrada. Passamos a entregar não só o bloco, mas os projetos e a execução. Montamos uma equipe e passamos a vender o metro quadrado de parede pronta”, lembra Dornelles. Atualmente, a empresa ergue, por mês, 50 mil m², principalmente na região metropolitana de São Paulo. Já são mais de 200 edifícios, 15 mil apartamentos e 3 milhões de metros quadrados construídos pela Tecno Logys. “O bloco que criamos acabou se tornando padrão de mercado. Com essa tecnologia já foram edificados mais de mil empreendimentos no Brasil”, comemora o diretor.
Investimento em formação
Outra inovação da empresa está na habilitação de seus próprios funcionários. Mediante diferentes programas internos, novos pedreiros conhecem a metodologia da empresa e são treinados por trabalhadores mais experientes da casa. Em geral, os profissionais iniciam como ajudantes e, depois de algum tempo de prática, assumem o posto oficialmente.
Segundo o gerente de obras da Teno Logys Halysson Sala, a seleção dos ajudantes segue um perfil previamente traçado. “Procuramos profissionais de até 25 anos, com iniciativa, que queiram estar na função”, explica. Em geral, os interessados chegam à obra por indicação e por anúncios colocados no próprio local de trabalho.
Atualmente, de 40% a 60% dos pedreiros da empresa foram formados internamente. Por se tratar de um processo relativamente novo, potenciais professores também são selecionados nas obras, e hoje correspondem a cerca de 10% de todos os profissionais atuantes. É o caso de Jozirleno Gomes, 27 anos. Há sete na construção civil, entrou como pedreiro na empresa há cinco anos. Hoje, trabalha ao lado de três ajudantes, treinados de perto.
Para Gomes, o uso de ajudantes e a metodologia seguida pela empresa tornam o serviço mais fácil e rápido. “Aqui é diferente das outras obras. Antes de começar, nós recebemos o projeto junto com as ferramentas e os acessórios. Com os ajudantes, além de ensinar a fazer, o trabalho sai mais rápido. Nós sempre fazemos duas paredes ao mesmo tempo. Enquanto um ajudante prepara uma, outro carrega a massa, eu coloco o tijolo na outra. Assim a gente demora a metade do tempo para terminar o serviço, e não fica pesado para ninguém”, explica.
Foto: Agência Luz