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Com dedicação e determinação, empresária mostra que mulher também entende de agronegócio.

 Dourado 

 

 Café Helena: Negócios e turismo 

Há 13 anos, Maria Helena Monteiro decidiu, em parceria com o marido, comprar a fazenda de seu avô e herdeiros. As terras na cidade de Dourado, interior de São Paulo, tinham um valor afetivo para ela, que nasceu e morou ali por oito anos.

“Quando compramos, achamos que seria muito fácil tocar o negócio”, comenta Maria Helena que, à época, era diretora de uma multinacional em São Paulo, capital. Ela conta que o marido não podia largar o emprego – também era executivo de uma grande empresa -, assim, o compromisso de gerir a fazenda ficou com ela.

Para iniciar o negócio, os sócios executaram o planejamento estratégico, contrataram agrônomo, e fizeram “tudo o que precisava para a gestão de qualidade com competência”, relata. Eles decidiram investir no plantio de café, atividade que já havia sido praticada nas terras na época do avô de Maria Helena.

“A partir disso, começaram os problemas: o café era coisa do passado. Praticamente só havia plantação de cana de açúcar, laranja e criação de gado nas fazendas”, conta a empreendedora. Por isso, foi difícil encontrar mão de obra especializada em café na região.

Entre os anos 2000 e 2002, Maria Helena sofreu com o problema da seca, “gastamos muito dinheiro e vimos o café secando”, conta. Na época, o preço da saca ficava entre 90 e cem reais, hoje é de R$ 500.

“Eu tinha vontade de chorar, decidi largar marido, filha e ir para Dourado”, relata a empreendedora, afirmando que no início tudo é muito mais difícil. “Naquela época, tudo era novo, foi muito sofrido. Mesmo fazendo o planejamento e contratando um agrônomo com experiência, o negócio não vingava”.

Maria Helena percebeu também uma rejeição da presença de uma mulher na lavoura. “Quando chamava fornecedores ou candidatos a funcionários, tinha muita cara fechada.”

Todas essas dificuldades se mantiveram por três anos, e o pouco café colhido era armazenado, pois não valia à pena vender. “A partir de então, a gente só gastava, e isso me dava muita ansiedade. Nossa ideia era continuar somente até acabarem as economias.”

O cenário começou a melhorar quando a empreendedora buscou estudar e realizar algumas mudanças. “Eu fazia curso sobre café e contratei um novo agrônomo, com uma mentalidade mais moderna. Também passei a ficar direto na lavoura”.

Ao entender mais do negócio e de suas dificuldades, Maria Helena ficou mais segura. “Eu percebi a importância de ficar na lavoura ao sair e observar as outras, que estavam sempre bonitas, enquanto a minha estava feia. Assim, aprendi também a contratar melhor meus funcionários”.

No dia em que a saca de café chegou ao valor de R$ 300, a empreendedora vendeu todo o seu estoque. “Eu estava na varanda e saiu o primeiro caminhão, depois de três anos de trabalho. Foi o primeiro dinheiro que entrou na fazenda”.

Em 2006, quando os negócios estavam começando a melhorar, Maria Helena decidiu enviar sua história ao Sebrae-SP. “Foi uma terapia escrever. Ganhei o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios São Paulo, Regional e Brasil”. Ela conta que vencer esse prêmio foi muito recompensador, “foi um grande reconhecimento. Eu era uma pessoa de sucesso e voltei à estaca zero em uma área que não era a minha”, desabafa.

Ela afirma que as pessoas precisam de persistência para iniciar um novo empreendimento, “é necessário força e acreditar que vai dar certo”, recomenda Maria Helena. “E o Sebrae sempre tem me acompanhado. Toda publicidade que tenho hoje veio depois do prêmio”, ressalta. Atualmente, Maria Helena emprega 20 funcionários na fazenda e quatro na distribuidora, sendo que a lavoura é 90% mecanizada.

Maria Helena orgulha-se em ter suas filhas envolvidas no negócio da família. “Ano passado elas optaram por trabalhar no café. Assumiram a distribuidora do café Helena e amam a nossa história”. Neste ano, a família começou uma nova atividade na fazenda: o turismo de conhecimento na época da colheita.

A proteção ao meio ambiente também é uma preocupação de Maria Helena. “Temos área de preservação permanente, estamos plantando duas mil árvores e tenho outorga de água”. Além disso, a fazenda está se preparando para obter certificação pelo FSC (Forestry Stewardship Council, que em português significa Conselho de Manejo Florestal) e ISO.

 

Foto: Agência Luz

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