Embora a loja física não seja mais o único lugar onde varejistas e consumidores interagem, ela continua tendo um papel fundamental nas experiências de compras e relacionamento da marca com seus clientes. Mas para atraí-los à loja e estimular o consumo, as empresa de varejo tentam inovar alinhando seus conceitos, espaço físicos, tecnologias e processos para atender as expectativas dos novos consumidores. Estas novas estratégias de atração destes clientes foram debatidas no segundo dia de congresso do NRF Retail´s Big Show, em Nova York.
Na palestra sobre visão geral do varejo mundial, Matthew R. Shay, Presidente e CEO, National Retail Federation, destacou três tendências fortes para o futuro do varejo atual: a integração da internet – principalmente as mídias sociais-, a mobilidade e as lojas físicas, proporcionando uma experiência de compra cada vez mais personalizada e estimulante. “Hoje existe muito mais informação disponível aos consumidores, em tempo real, e isso está alterando os padrões dos processos decisórios de compra”, destacou o palestrante. Para ele, o crescimento das economias emergentes como o Brasil, China e Ìndia aponta que o varejo se tornou um negócio global.
E as tendências também se globalizaram. Algumas estratégias vivenciadas pelos participantes da missão empresarial, já são utilizadas no Brasil. É o caso da Eataly, uma espécie de mercado de produtos típicos italianos que também oferece, no mesmo espaço, restaurantes e lanchonetes. O local tem o conceito de caixa único, onde o consumidor faz compras em diversas bancas especializadas (queijos, frutas, verduras, vinhos, pães, temperos, enlatados) e paga ao sair do local. “A grande sacada da loja, além do visual merchandising de muito impacto, é o conceito de ter o produto para levar para a casa e a possibilidade de experimentá-lo numa receita italiana em um dos quiosques separados por tipo de comida como: massas, carnes, peixes e frutos do mar. No Brasil, especialmente em São Paulo, este conceito já vem sendo utilizado com sucesso em grandes padarias que estão vendendo o produto e permitindo o consumo interno dentro da loja”, destacou Gustavo Carrer, consultor do Sebrae-SP.
Na UNIQLO, uma rede de lojas de confecções japonesa similar e concorrente direta da Zara, a exploração sensorial também é latente. Logo na entrada da loja o consumidor é conduzido por uma grande escada rolante direto ao último e maior piso da loja, onde estão as seções de moda masculina e feminina, com visual moderno. “Isso é genial, porque ao mesmo tempo você consegue atender quem está com pressa, levando-o direto ao que ele quer, e também aquele cliente que tem mais tempo para explorar todos os pisos, podendo acessá-los pelas outras escadas”, explicou Carrer. A loja também tem uma seção de promoções, dentro de uma sala de vidro em destaque. “É interessante porque define bem o que é da coleção e o que está em promoção. Isso ajuda a orientar o cliente na sua procura. Além disso, eles valorizaram a área de passagem de uma sessão para outra dentro da loja que, neste caso, é um túnel onde os estímulos sensoriais são ainda mais impactantes: música mais forte que a da loja, os produtos têm mais cores e são expostos de forma bem mais atrativa”, completou.
A exposição dos produtos extremamente bem organizada também parece ser uma tendência dos grandes varejistas para estimular as compras. “Na Uniqlo os manequins das vitrines giram em sincronia de forma que, tanto de dentro ou de fora da loja, você consiga ver o produto por inteiro. A exposição dos produtos na loja usa critérios de cor e tamanho, com grande número de dobraduras. A venda é do tipo autosserviço, porém existem muitos vendedores disponíveis para orientações”, acrescentou Carrer.
O empresário Washington Rodrigues, proprietário da Tarzan Componentes Eletrônicos, em São José dos Campos, também destacou a experiência de compra. “Gostei muito do conceito da Abercrombie & Fitch e da Hollister CO. São lojas com 5 andares só da marca, que oferecem a linha completa de produtos, são iluminadas de forma diferente, o aroma padrão te faz lembrar da marca o tempo todo, o som alto estimula a compra e a equipe bem treinada está sempre perto para te ajudar na compra, mas com uma abordagem muito natural. Na entrada de cada andar tem sempre uma espécie de hostess te apresentando aquele setor e tudo que você pode encontrar lá. O consumo é inevitável”, acrescentou o empresário.
A missa empresarial NRF Retail´s Big Show é uma parceria entre o Sebrae-SP e a Associação Comercial de São Paulo. Desde o último dia 17, um grupo de 27 empresários paulistas de empresas de pequeno porte acompanham as exposições e palestras deste que é o maior evento mundial de varejo.”. Estou muito feliz porque o Sebrae novamente está fazendo diferença na minha vida empresarial. Começou com o Empretec, depois com um subsídio para participarmos da nossa primeira exposição em feiras, na nossa região, e agora a oportunidade de visitar esta feira. É a primeira missão que participo e já identifiquei tecnologias e processos que devo ativar no meu negócio”, acrescentou Rodrigues.

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Marcelle Carvalho
Andreoli MSL a serviço do Sebrae-SP